Cada tecnologia de luz age sobre um alvo diferente dentro da pele: água, pigmento ou vaso. É por isso que um equipamento que trata textura não é o mesmo que trata mancha, e por que a escolha começa pelo diagnóstico, não pelo aparelho.
Dois fatores decidem a indicação: o que se pretende tratar e a cor da pele de quem vai tratar. O segundo é o que mais muda o risco, e é o que este texto detalha.
Por que o alvo define o equipamento
A diretriz alemã de terapia a laser da pele organiza as recomendações exatamente assim: por tipo de lesão, e não por aparelho [1]. Lesões com aumento de melanócitos, lesões pigmentadas sem aumento de melanócitos, lesões vasculares e alterações de textura entram em capítulos separados.
Uma revisão sistemática de 41 ensaios clínicos em melanose solar — a mancha plana de área de sol crônico — encontrou respostas bastante diferentes conforme a tecnologia, com o laser fracionado de CO₂ entre as opções de menor resposta nesse alvo [2].
O mesmo equipamento que responde pouco a uma mancha plana é o que a literatura discute para textura e cicatriz. Não é contradição: é alvo diferente. Flacidez, que é perda de sustentação, tem outros métodos e está em Flacidez facial.
Ablativo e não ablativo: o que muda na recuperação
Tecnologias ablativas removem camadas de pele de forma controlada. As não ablativas aquecem o tecido sem remover a superfície. A diferença aparece principalmente no tempo em que a pele fica visivelmente alterada e no perfil de complicações.
A revisão de complicações em resurfacing de pele lista, para os métodos ablativos, infecção, hipopigmentação, hiperpigmentação e cicatriz como os eventos mais frequentes [3]. É por isso que o retorno às atividades depende do método, e é assunto de avaliação, não de tabela.
Existe ainda uma complicação descrita para o laser fracionado de CO₂ em cicatrizes: marcas persistentes no ponto de aplicação, relatadas em 16 de 171 casos consecutivos, mais frequentes em pele mais escura e em cicatrizes antigas [4].
O fototipo muda a indicação e muda o risco
Esta é a parte mais importante do texto. Quanto mais pigmentada a pele, maior o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória — a mancha que surge depois do próprio tratamento.
Uma metanálise de 43 estudos com 1.654 pacientes de fototipos IV a VI, tratados com lasers e tecnologias não ablativas, encontrou hiperpigmentação pós-inflamatória em 8,1% e eritema prolongado em 0,6%. O risco aumentou com o fototipo e com a energia entregue, e foi menor com luz intensa pulsada e radiofrequência do que com determinadas famílias de laser [5].
Uma revisão sobre tecnologias em pele de cor descreve o raciocínio por trás disso: tecnologias fracionadas não ablativas têm a água como alvo, e não a melanina, o que reduz a chance de a energia ser absorvida pelo pigmento da pele [6].
Nada disso significa que pele mais pigmentada não possa ser tratada. Significa que a escolha do método e a decisão sobre tratar ou não tratar mudam — e que uma indicação feita sem considerar o fototipo é uma indicação incompleta.
Sol antes e sol depois
Uma revisão sistemática sobre prevenção de hiperpigmentação pós-inflamatória em pele de cor reuniu 14 estudos com 369 casos. Mais de 95% dos casos analisados tinham sido desencadeados por tratamento a laser, e a face foi a região mais frequente [7].
Entre as medidas preventivas estudadas, o filtro solar foi a única que preveniu de forma consistente a ocorrência do quadro. Outras medidas reduziram a gravidade sem evitar o aparecimento [7].
A fotoproteção, portanto, não é recomendação genérica de fim de consulta: faz parte do tratamento, antes e depois, e é um dos motivos pelos quais a época do ano entra na decisão.
Quem não é candidato
A diretriz de terapia a laser recomenda cautela no tratamento de lesões com aumento de melanócitos e não recomenda o tratamento a laser de nevos melanocíticos pigmentados [1]. Uma lesão pigmentada sem diagnóstico definido não é objeto de procedimento estético: é objeto de avaliação dermatológica.
A revisão de complicações coloca a avaliação prévia — extensão do quadro e fototipo — como o passo que reduz risco [3]. Infecção ativa, histórico de queloide, medicamentos fotossensibilizantes e pele recentemente exposta ao sol contraindicam ou adiam.
Melasma tem regra própria, porque procedimento inadequado pode agravá-lo. Esse assunto está em Manchas e melasma.
Quando procurar atendimento
Procure a equipe que realizou o procedimento se aparecer:
- vermelhidão que aumenta depois do terceiro dia, calor local, secreção ou febre
- dor que piora em vez de diminuir
- bolhas, feridas ou áreas que não fecham no prazo combinado
- escurecimento ou clareamento da área tratada que persiste
Procure atendimento no mesmo dia diante de dor intensa e desproporcional, secreção com odor ou febre com piora da lesão. São sinais compatíveis com infecção, e infecção tratada cedo tem manejo mais simples.
Quem realiza e o que determina o valor
Procedimento com equipamento de emissão de energia é ato de saúde, realizado por profissional habilitado e legalmente autorizado, com equipamento regularizado na Anvisa e em serviço preparado para conduzir uma complicação.
O valor é definido após a avaliação e depende do alvo, da tecnologia indicada, da área e do número de sessões previstas.
Perguntas frequentes
Um laser só resolve mancha, ruga e cicatriz? Não. Cada alvo se comporta de forma diferente diante da luz, e a literatura trata cada indicação separadamente [1,2].
Tenho pele morena ou negra. Posso fazer laser? A pergunta certa não é "pode", é "qual e em que condições". O risco de hiperpigmentação pós-inflamatória aumenta com o fototipo e com a energia entregue [5], e algumas tecnologias têm perfil de risco menor nesses fototipos [5,6].
Quantos dias fico com a pele marcada? Depende de o método ser ablativo ou não ablativo e da profundidade do tratamento. Esse prazo é combinado na avaliação.
Posso fazer no verão? A exposição solar antes e depois interfere no risco de mancha [7]. Isso não proíbe automaticamente, mas muda a conversa sobre método e época.
Agende uma avaliação.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a conduta dependem de avaliação individual.
Referências
- Paasch U, Zidane M, Baron JM, Bund T, Cappius HJ, Drosner M, et al. S2k guideline: Laser therapy of the skin. J Dtsch Dermatol Ges. 2022;20(9):1248-1267. DOI: https://doi.org/10.1111/ddg.14879 (PMID: 36098675)
- Mardani G, Nasiri MJ, Namazi N, Farshchian M, Abdollahimajd F. Treatment of Solar Lentigines: A Systematic Review of Clinical Trials. J Cosmet Dermatol. 2025;24(4):e70133. DOI: https://doi.org/10.1111/jocd.70133 (PMID: 40145274)
- Hamilton MM, Kao R. Recognizing and Managing Complications in Laser Resurfacing, Chemical Peels, and Dermabrasion. Facial Plast Surg Clin North Am. 2020;28(4):493-501. DOI: https://doi.org/10.1016/j.fsc.2020.06.008 (PMID: 33010868)
- Esmat SM, Abdel-Halim MRE, Gawdat HI, Kamel M, ElRamly A, Helmy K, et al. Persistent Pixel Stamping Marks: a novel complication of fractional CO2 laser in scar treatment. Lasers Med Sci. 2019;34(6):1125-1135. DOI: https://doi.org/10.1007/s10103-018-02700-5 (PMID: 30610402)
- Hu S, Atmakuri M, Rosenberg J. Adverse Events of Nonablative Lasers and Energy-Based Therapies in Subjects with Fitzpatrick Skin Phototypes IV to VI: A Systematic Review and Meta-Analysis. Aesthet Surg J. 2022;42(5):537-547. DOI: https://doi.org/10.1093/asj/sjab398 (PMID: 35019139)
- Chao JR, Porter JP, Hessler J. Cosmetic Treatments with Energy-Based Devices in Skin of Color. Facial Plast Surg. 2023;39(5):496-500. DOI: https://doi.org/10.1055/s-0043-1772197 (PMID: 37557909)
- Mar K, Maazi M, Khalid B, Ahmed R, Wang OJE, Khosravi-Hafshejani T. Prevention of Post-Inflammatory Hyperpigmentation in Skin of Colour: A Systematic Review. Australas J Dermatol. 2025;66(3):119-126. DOI: https://doi.org/10.1111/ajd.14432 (PMID: 39953770)
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.
Precisa de uma avaliação?
A recepção informa agenda, convênios e atendimento particular.
Agendar consulta